16/07/2009

I see chinese people... in Xinjiang (新疆)

Urumqi 乌鲁木齐

























09/07/2009

Mais um conflito que está na rede

A essas alturas do campeonato todo mundo está sabendo o que está rolando em Xinjiang, região autônoma no noroeste da China. Os confrontos, o conflito étnico, as mortes, os feridos, o exército na rua, o toque de recolher. Apesar do Brasil estar dando pouca bola para o assunto, os dois correspondentes de jornais brasileiros, da Folha e do Estadão, estão lá reportando o que acontece para o público tupiniquim. Claro que sempre é diferente a maneira que duas pessoas contam a mesma história, mas é fundamental que a história seja contada.

A maneira mais rápida de acompanhar tudo é a internet, claro, mas especialmente pela ferramenta da moda, o Twitter. Mesmo com todos os bloqueios na rede (estamos com uma dezena de sites barrados de novo pela "Great Firewall") quem está lá está dando um jeito de se comunicar. Pra variar, quem está fora de Xinjiang, mas na China, também. Afinal, se não fosse isso eu não estaria escrevendo este post. Para quem lê em inglês tem material legal saindo. Se você quiser ficar por dentro, acompanhe a @melissakchan, correspondente da Al Jazeera que tem disponibilizado informações bacanas e vídoes no Youtube, e o @MalcomMoore, correspondente do Daily Telegraph. Acompanhe também o @mranti, jornalista independente que já foi correspondente de jornais americanos e teve o blog deletado na China por causa do conteúdo. Tem também o @shanghaiist, que está atualizando com matérias e análises exclusivas. Claro, você ainda pode seguir as garotas que comem de palitinho, Jana Jan e Dona Coruja, pois também estamos atualizando com o que vemos sobre o assunto.

Os grandes jornais do mundo todo também estão lá e gerando muito material. Achei interessante a iniciativa do New York Times de fazer um espaço de debate qualificado sobre o assunto. Tá aqui no site deles. Para ter acesso às matérias completas é necessário fazer um cadastro no site, que é gratuito. Tem os correspondentes da Time e da CNN, do The Economist e Wall Street Journal, ABC, da Espanha, só para citar alguns.

Outro site onde você pode acompanhar é o Danwei, que sempre traz as principais notícias dos jornais chineses e artigos sobre comunicação no país. Claro que o site está acompanhando o que acontece em Xinjiang, especialmente porque esta já é classificada como a cobertura jornalística onde a imprensa internacional teve mais liberdade para atuar. Não que eu ache que o governo está divulgando tudo porque ficou bonzinho ou se conscientizou do papel da imprensa livre na sociedade (sic). Falando no governo, sempre dá pra acompanhar a mídia chinesa. Diário do Povo, Xinhua, China Daily, Rádio Internacional da China e CCTV estão cobrindo o conflito e transmitem em inglês.

Depois de ler tudo isso você deve estar se perguntando: tá, mas o que tu acha de tudo isso?? Gente, só tenho dizer que acho triste, lamentável, preocupante. Eu não consigo entender rivalidade entre dois povos que ultrapasse os limites dos portões de um estádio de futebol. Amanhã a gente fala mais nisso.

O significado (ou a falta de ) das palavras

Sempre depois de uma aula de chinês a minha cabeça sai fritando. Um pouco porque fazia muito tempo que eu não estudava chinês, um pouco porque é uma professora particular nova (e eu tenho meus bloqueios, preciso me sentir confortável com a pessoa pra sair cometendo erros sem surtar), um pouco porque eu preciso falar (posso passar horas estudando caracteres faceira, odeio abrir a boca) e muito porque é um idioma difícil pra chuchu.

Mesmo assim eu curto bastante quando estou estudando. Curto a lógica (ou a falta de) do idioma. Algumas vezes é uma lógica ingênua, quase infantil, e por isso fofinha. Well, outras vezes é de pensar “what the fuck?”, mas em geral é fofo. Fora quando fica até meio poético. Olha só.

Amor é ai, que se escreve 爱 hoje em dia. Em chinês tradicional (e também japonês) se escreve 愛. Ou seja, tiraram uma parte do caractere para simplificar a escrita. Até aí, sem problema. O amigo está dentro do amor, pois uma das partes que o compõem é 友, que significa amigo. Então que no amor precisa amizade. Mas daí algo aconteceu, não sei se foram as guerras, se foi o comunismo, mas quando simplificaram a escrita tiraram o coração do amor. Como? Aqui neste愛 dá pra ver uma partezinha espremida, 心, que significa coração. Triste, mas na China de hoje o amor é sem coração. Ainda falando de amor, ou melhor do爱, uma das palavras que eu mais gosto é marido-esposa (serve para os dois), que é airen 爱人. Te ligou que o amor está entre os cônjuges, não? O outro caractere que forma a palavra é ren 人, que significa pessoa. Pessoa amada. Fofíssimo, não? Se tem uma coisa que eu me surpreendi aqui, e ainda me surpreende, é a quantidade de casais que briga na rua. Quando eu falo briga não me refiro a bate boca, é porrada mesmo. O cara bate na mulher e a mulher bate no cara em qualquer lugar: na rua, no shopping, no bar, na frente do trabalho. Acho que o problema todo com a chinesada é que tiraram o coração do amor. Só pode.

Falando em coração (esse心 coração) me lembrei de outro. “Você” em chinês é 你, ni. Pois a forma respeitosa de dizer você é 您, nin. Reparou que ali embaixo tem o caractere de coração?Então se você chama alguém com respeito, chama com o coração.

Outra coisa que eu e minha professora ficou explicando foi no 女, que se lê nü (faz biquinho pra falar) e se refere à mulher, ao gênero feminino, e todas as palavras onde é necessário diferenciar o gênero, ele está presente. Apesar da cultura machista, por exemplo, o “bom”, que se escreve 好, tem um toque feminino. Outro que dá uma levantada na bola na mulherada é “segurança”, an 安 . Segundo a minha professora aquilo ali em cima do caractere é uma representação de casa, ou seja, casa que tem mulher significa em chinês, literalmente, segurança. Curtiu?

Agora tá rolando toda essa tensão em Xinjiang, província no noroeste da China que faz fronteira com o Paquistão e cuja população é, na maioria, muçulmana. As questões étnicas por trás disso são muitas, mas gostei de uma observação que escutei sobre o assunto. Vocês sabem que os muçulmanos não comem carne de porco, né? Isso me lembrou um dos caracteres com a lógica mais sem sentido para mim. Well, suíno por essas bandas se escreve 豕. Lembra da parte de cima do segurança, que a profe disse que era uma representação de casa? Então que se a gente pegar o suíno e colocar aquela partezinha em cima, o caractere fica assim 家, certo? O problema é que isso, em chinês, se lê jia e significa casa, no sentido de lar, ou família. A conclusão da pessoa foi: como eles não vão ficar brabos se colocaram o porco na família? Esse caractere é tão sem sentido quanto a violência dos distúrbios do último domingo.

Bom, mas isso é assunto pra um outro texto, num outro dia.

23/06/2009

Quem compra o que quer, acaba vendo o que não quer

Dando uma passeada no Sushicast (http://sushicast.net/2009/05/18/homem-descobre-traicao-da-mulher-em-filme-porno/) , blog dos vizinhos brasileiros que vivem no Japão, vi este fato bizarro, dei umas pesquisadinhas a mais e resolvi, na cara dura, contar aqui.

Ta lá o tiozinho, cansadão da vida. Ele decide dar uma apimentada na relação (nem que seja na dele com ele mesmo, se é que você me entende) e compra um DVD pornô. No dia seguinte ele vai preso. Não, ele não tava na China continental, como gostam de dizer aqui, ele estava em Taiwan, onde isto não é proibido. Como, então? 
Depois de comprar o DVD, o tiozinho faceirinho da vida resolveu dar uma conferidinha solito. Mãos a obra, aperta o play, sai o título e quem aparece? A mulher do cara. Ela tinha uma vida pregressa? Não, ela foi filmada sem conhecimento em um motel transando com o amigo do tiozinho. Sério, de dar pena.
O pobrezinho do corno enlouqueceu com a história e foi tentar lavar a honra com sangue. Saiu atrás do amigo e acertou-lhe uma facada na coxa. O jornal taiwanês "Liberty Times" conta que a transa foi filmada com uma câmera escondida no motel e inserida em um DVD chamado "Casos com as esposas dos outros". Bem, com um título desses, quem compra o que quer, acaba assistindo ao que não quer. 
O fim da história? O marido se separou da esposa e foi indiciado por danos corporais, crime que dá menos de seis meses de prisão e pode ser convertido em multa. O ex-amigo fugiu da aldeia. Reza a lenda que a esposa se entregou a uma nova vocação. Vai saber...

17/06/2009

A noite ao meio-dia

Ontem Beijing foi atingida por uma tempestade como poucas vezes vi na minha vida. De repente o dia virou noite e a escuridão só era interrompida pelo clarão dos raios. Eu, que morro de medo de raios e trovões, só conseguia pensar em dois locais seguros: embaixo da minha cama e no colo da minha mãe.

Para vocês terem uma idéia do festival que virou o céu de Beijing, no período de uma hora o escritório de meteorologia da capital chinesa registrou 538 raios. Gente, é raio pra caramba!

Não foi só a Coruja aqui que sofreu com a tempestade de ontem. Mais de 100 voos atrasaram e dez foram cancelados.  Em Wudaokou, bairro universitário no noroeste da cidade, o povo ficou no escuro e embaixo d'água.

Na foto, surrupiada na maior cara dura do Sina.com, dá para ter uma ideia do que foi o momento "chegou o apocalipse" por aqui ontem. 

Ah, e agora me pergunta se eu trouxe sombrinha? ;)

15/06/2009

Pelado, pelado nu com a mão no... computador

Todo mundo tem o maluco beleza que merece. Aqui na China Ai WeiWei (艾未未), designer gráfico-artista conceitual-diretor, ocupa o posto de doidão de carteirinha. Pois Ai acabou de lançar um novo blog e deixou claro que chegou para abalar.
Para que ninguém tivesse dúvida de que ele é ele, o cara resolveu publicar umas fotos dele... nu! Isso mesmo que você leu: peladão. Há quem ainda tenha dúvidas se o cara é ele...



O peladão também anda dando pitacos no Twitter e no Fanfou, clone chinês para o microblog mundialmente famoso. Se você entende chinês, vai fundo...

08/06/2009

60 anos de China em fotos

Agora que o aniversário de 20 anos de um certo incidente em uma certa praça passou, começam os preparativos para um outro aniversário. Este sim lembrado, relembrado e celebrado pelos chineses (principalmente o governo).

 No próximo dia 1º de outubro, a China comemora os 60 anos da Revolução Comunista e, claro, toda a pujança do país será mostrada na ocasião. Ouso dizer que tem mais importância e internamente será mais celebrado do que a própria Olimpíada. Claro, a Olimpíada será um dos grandes feitos lembrados para mostrar como tudo deu certo por aqui.

Uma das coisas mais legais que saíram até agora em comemoração é um livro de fotografias, que foi editado (em chinês) pelo jornal em inglês China Daily para marcar a data.

O livro, China 1949-2009,  traz fotos das mais diversas épocas e regiões do país nos últimos 60 anos. O livro foi lançado na semana passada, durante a festa de 28 anos do jornal, custa 220 yuans (R$ 63,00) e está disponível, pelo menos por enquanto, apenas em solo chinês.

 Segundo Mark Hughes, editor do jornal, a compilação de fotografias é um tributo ao que Mao queria alcançar na China. “É um livro não apenas para a China, mas para o mundo em geral. A China tem se levantou e está andando erguida”, disse o cara. Sem entrar nos méritos políticos, o livro parece ser muito legal. Fotografias são ótimas contadoras de histórias, fora que valem mais que mil palavras, não é mesmo?

Dá uma olhadinha.









Claro que a China que passou e ainda passa fome não vem apresentada, o que não diminui a importância e beleza do livro. Quer ler a matéria completa (em inglês) e ver mais algumas fotinhos, clica aqui.