17 de ago de 2009

Não entendi se Plastic City era pra rir ou pra chorar

Eu juro que dei uma chance. Fui com o maior pique e disposição assistir Plastic City (http://v.youku.com/v_show/id_XMTA5NDg3NDI0.html), como comentei que faria (http://comendodepalitinho.blogspot.com/2009/08/o-que-esperar-de-uma-producao-sino-nipo.html). Ignorei as vaias que a película levou no Festival de Veneza (http://cinema.uol.com.br/veneza/ultnot/2008/08/30/ult6418u15.jhtm), ignorei as péssimas críticas (http://robertomaxwell.com/2009/03/29/plastic-city-o-filme/http://asiaagora.blogspot.com/2009/08/plastic-city-comeca-bem-mas-se-perde-na.html) e fui. O filme é uma produção sino-nipo-brasileira, com direção de Yu Lik-wai, de Hong Kong, falado em cinco idiomas (mas juro que só contei quatro), um drama que conta a história de gângsters chineses em São Paulo. Eu dei risadas. Muitas. Alto. O problema é que teve bastante gente que levou o filme a sério. Farei uma lista de dez motivos para justificar o porquê de achar que Plastic City é uma comédia e não um drama:

1) Ele começa dentro da floresta amazônica. E tem um tigre branco lá.
2) O filme é, principalmente, falado em português e chinês. O protagonista não fala nenhuma das duas línguas e foi toscamente dublado. Estou até agora tentando me lembrar de quem é aquela voz na sessão da tarde.
3) Um cara fantasiado de Chacrinha aparece dentro um puteiro vendendo bolsas.
4) Eles colocam praia em São Paulo.
5) Eles colocam um morro carioca (com favela, claro) praticamente do lado da Liberdade em São Paulo
6) Eles fazem nevar em São Paulo
7) As gangues se pintam como índios indo para a guerra para brigar na rua. E eles brigam com espadas.
8) Um chinês vai para uma tribo na amazônia e vira pajé
9) Todo mundo acaba se cruzando dentro da floresta amazônica. É só virar à esquerda na placa do Oiapoque e seguir reto. Novo point da galera.
10) O diretor acha que o público brasileiro vai gostar do filme porque retrata bem a realidade brasileira.

Ontem, depois da exibição, Yu Lik-wai foi comentar o filme e participar da sessão de perguntas e respostas. Foi quando eu parei de achar o filme engraçado. O diretor realmente levou tudo aquilo, e todos os aspectos que envolviam o filme, a sério. E a plateia, formada na maioria por estrangeiros (poucos brasileiros e chineses compareceram), também.

Yu disse que acredita que conseguiu fazer um filme bem realista e que não precisou apelar para estereótipos sobre o Brasil. Olha, para mim só faltou a Carmem Miranda aparecer cantando para ser mais estereotipado. Futebol estava presente, numa televisão na prisão (por falar nisso, existe alguma penitenciária no Brasil podrona estilo Carandiru, mas que os detentos usem unifome?). Toda a questão da cultura, de mixar histórias é válida, acho que bem válida. O problema é que ele se perdeu na jogada, em vez de usar de bom humor para fazer isto. Sou uma pessoa boazinha em geral, mas tenho que dizer que foi o mico máximo na carreira de todo mundo que estava ali até agora. Até do Alexandre Borges, que aparece pouquinho e como político corrupto.

Teve gente da embaixada brasileira reclamando que o filme mostra só o lado ruim do Brasil. Sinceramente, esse papo de lado ruim do Brasil cansa. O lado ruim do país é o de menos no filme. O Brasil é um grande consumidor de pirataria? É. O Brasil tem polícia e políticos corruptos? Tem. Acho que poderia, sim, ter mostrado São Paulo de um jeito diferente. É a maior cidade do Brasil, com uma diversidade cultural intensa. No filme parece que São Paulo é uma cidade de porto e favela. E os meninos colocando fogo em mendigo também foi demais. Como muitas outras coisas do filme, não precisava.

Plastic City é uma mistureba tão grande, mas tão grande, que tem espaço até para história real. Segundo o diretor, ele se inspirou na vida de Law Kin Chong, chinês naturalizado brasileiro, dono de dois shoppings na 25 de março, considerado o maior contrabandista do Brasil e que agora está preso. Vai que ele se inspira no filme e foge para a floresta amazônica virar pajé. Porque pajé da pirataria ele já é.

Falando em pirataria, não acreditei quando o diretor do filme veio com o papo de que pirataria não é um problema para o cinema. Eu achei que este era um dos únicos aspectos que cineastas do mundo inteiro concordavam. Talvez não seja um problema para ele, que fez um filme com dinheiro público de três países.

Depois de tudo isso, nem ao final do filme pude assistir. Não, não foi porque não aguentei tanta coisa ruim. O final do filme não rodou, deu problema na exibição. Dizem as más línguas que é porque o diretor levou um dvd pirata. Não duvido, já que, afinal, pirataria não é um problema mesmo.


PS: Perdoem os links abertos ali. Aqui tá complicado para postar. Todas as camangas que eu usava não estão mais funcionando, não estou conseguindo editar no blogger. Provisoriamente as coisas ficam assim.

Um comentário:

  1. Ainda bem que me avisou antes... rs. E me falaram para assistir que era "interessante". No mínimo devia ser uma pegadinha.

    Ótimo post e excelente crítica sobre o filme.

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